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Inhame dos Açores




Como definir o inhame?! Acho que é daquelas coisas que só mesmo provando! Para começar, a primeira foto, que já vos tinha mostrado neste post, é a planta do inhame. A Colocasia Esculenta (designação desta espécie de inhame), é uma planta herbácea vivaz com grandes folhas que podem atingir 70cm de comprimento por 60cm de largura. Em "açorianês" falando, esta planta tem uma raiz (rizoma/tubérculo) algo áspera e rugosa, de cor acastanhada escura, cuja grossura e comprimento são variáveis. O interior é farinhoso (farinhento como dizemos cá), com uma cor que pode variar do branco ao rosado, depois de apanhado ganha uma cor azulada/arroxada e depois de cozido volta a ganhar a sua cor original. A planta do inhame desenvolve-se melhor em lugares húmidos e é por isso muitas vezes cultivada junto às ribeiras (cursos de água). Pode também ser cultivada em lugares mais secos, mas geralmente os inhames de água (os que são cultivados em lugares húmidos) costumam ser melhores, mais saborosos e menos fibrosos, chegando até a ter uma textura amanteigada. Desde a plantação até à apanha (colheita) o cliclo dura de 8 meses a 2 anos. Após este tempo os inhames continuam a poder ser apanhados mas tendem a crescer demasiado e a perder qualidade. Os inhames podem ser cozidos, fritos, assados, e o sabor pode ser adocicado ou salgado dependendo do modo como são cozidos (se com açúcar, se com sal). Os inhames constituem a base de alguns pratos tradicionais Açorianos, servem de acompanhamento a preparados de carne e enchidos fumados. Quase não há restaurante que se preze que não tenha inhames com linguiça e/ou torresmos disponíveis na ementa! Na nossa ilha de São Jorge, em particular nas Fajãs, os inhames constituíam a base da alimentação de grande parte da população. A importância era tal que os inhames se encontram representados no brasão do Concelho da Calheta e também no brasão da freguesia da Ribeira Seca. Nos finais do século XVII uma tentativa de alteração das regras de cobrança do dízimo (imposto) sobre o inhame levou a um levantamento popular conhecido como Revolta dos Inhames, que só ficou resolvida após o envio de tropas à ilha! E para quem não conhece o inhame, deixo-vos uma foto com os inhames já cozidos. Este vieram de uma das fajãs desta ilha e foram cozidos em forno de lenha o que faz com que os inhames fiquem ainda mais saborosos! Na travessa ainda com a "casca" e no prato já prontinhos a comer! Por vezes quem prova não consegue gostar! Talvez porque não gosta mesmo ou acredito que possa ser por não provar um inhame de qualidade! Quando o inhame não é bom, não é bom mesmo! Mas quando é bom, é uma maravilha! E sabiam que pode ser usado em doces?! Isso mesmo! Em queijadas, bolos, pudins! O que a imaginação permitir! Por isso, se provarem inhame e não for amor à primeira dentada, por favor dêem-lhe uma segunda oportunidade!

Se quiserem saber mais basta consultar a fonte no Wikipedia

Filhós de Forno

(Para ver em ponto grande clicar na foto)

As Filhós/Filhoses de Forno, popularmente conhecidas por fofas, fazem-se um pouco por todo o Arquipélago Açoriano. É no Entrudo (Carnaval) que este doce ganha destaque. Uma massa fofa e oca, recheada com creme a saber a limão. Há várias receitas, esta é apenas uma delas, a que faço desde sempre e que, na minha opinião, de todas é a melhor.

Filhoses de Forno:

Massa:
5 ovos;
250g de farinha de trigo;
1 colher de sobremesa de fermento em pó;
1 pitada de sal;
250ml de leite;
250ml de água;

Numa taça grande batem-se os ovos com a batedeira até ficarem fofos e esbranquiçados. Aos poucos junta-se a farinha e envolve-se com uma colher de pau ou vara de arames. Depois junta-se o fermento e o sal. De seguida o leite e por fim a água. Verte-se nas formas (forminhas de queijada) previamente untadas com óleo e polvilhadas de farinha (não encher até acima). Vai ao forno, que já deve estar bem quente, cerca de 30 minutos. Retira-se e deixa-se arrefecer um pouco ainda dentro das formas.

Recheio:
5 gemas;
250g de açúcar;
500ml de leite;
2 colheres de sopa de farinha maizena;
raspa de 1 limão;

Num tacho coloca-se as gemas e bate-se com uma vara de arames. Junta-se os restantes ingredientes, mistura-se e vai a lume brando mexendo sempre até ganhar consistência (como uma papa). Retira-se e deixa-se arrefecer.


Para rechear as filhoses basta fazer uma abertura na lateral a filhó (com o auxílio de uma faca ou tesoura de cozinha), e rechear com o creme. Para que as filhoses fiquem mais perfeitinhas pode apenas fazer-se um pequeno buraquinho e rechear usando um saco de pasteleiro. Podem, ainda, ser recheadas pelo topo. Depois é só saborear!